As obras de nossas mãos
Muitas construções antigas estampam num lugar de destaque o ano em que a obra foi feita. Algumas indicam o nome do construtor. Até mesmo algumas calçadas antigas ostentam essas informações no concreto.
Numa calçada constava a inscrição: “João, 1899”. O nome e a data estavam escritos indelevelmente no concreto, indicando a identidade de quem fez o trabalho e o ano em que a obra foi realizada.
Se João ainda estivesse vivo, certamente teria motivos para se orgulhar de sua obra. Depois de tanto tempo, o concreto ainda se encontrava em excelente estado. Com efeito, tinha suportado o teste do tempo e não tinha envergonhado o senhor João, o homem cuja reputação profissional estava vinculada àquele trabalho.
Isso nos leva a pensar que, como cristãos, tudo o que realizamos leva o nosso nome. A obra de nossas mãos será testada e, se aprovada, receberá a justa recompensa. Mas se for reprovada, de algum modo sofreremos o dano.
É o que nos ensina a Palavra de Deus: “Manifesta se tornará a obra de cada um; pois o Dia a demonstrará, porque está sendo revelada pelo fogo; e qual seja a obra de cada um o próprio fogo o provará. Se permanecer a obra de alguém que sobre o fundamento edificou, esse receberá galardão; se a obra de alguém se queimar, sofrerá ele dano; mas esse mesmo será salvo, todavia, como que através do fogo” (1 Co 3.13-15).
Por isso, o apóstolo Paulo também orienta: “Cada um veja como edifica”. Para ele, não basta realizar uma obra; é preciso fazer do modo correto.
Desse modo, como poderemos ter certeza de que o nosso trabalho para Cristo é do tipo que permanece? Paulo diz que a resposta está na escolha do fundamento certo: “Porque ninguém pode lançar outro fundamento, além do que foi posto, o qual é Jesus Cristo”.
Em seguida ele indica que a obra erigida sobre o Fundamento pode ser “ouro, prata, pedras preciosas”, assim como “madeira, feno, palha”. E essa obra, no futuro, será manifesta e submetida ao teste do fogo purificador da avaliação do próprio Deus.
Não pretendo ser juiz nem palmatória dos outros, mas sinto um incômodo crescente em ver o modo como alguns “líderes” têm edificado sobre o Fundamento, a maneira anti-bíblica e até mesmo mundana como realizam a obra de Deus.
Alguns prezam mais o dinheiro que a salvação de almas. Vale mais a renda da igreja que o batismo de novos crentes. Outros se valem de artifícios escusos para mexer com a emoção das pessoas, mas seu “evangelho” pára por aí, não traz transformação de vidas. Há aqueles que tomam emprestados os métodos das “simpatias” como se fossem orientações bíblicas, prometem o céu aqui na terra, mas tudo o que fazem é depenar financeiramente os incautos.
Há muitas outras esquisitices em curso em diversas igrejas que não correspondem ao evangelho de Cristo, coisas que chocam e entristecem quem leva a obra de Deus a sério. Pelo que Paulo ensina, não dá para negar que isso é construir com “madeira, feno, palha”. Oro a Deus para que essas pessoas se arrependam e mudem de atitude antes que o fogo provador de Deus devore todo o trabalho de suas vidas.
Quanto a mim, quero ser como o pedreiro João. Que as obras de minhas mãos permaneçam e sejam julgadas pelo tempo, antes mesmo de serem julgadas por Deus.
Que possamos orar como Moisés: “Seja sobre nós a graça do Senhor, nosso Deus; confirma sobre nós as obras das nossas mãos, sim, confirma a obra das nossas mãos” (Sl 90.17).
Autor: Samuel Câmara
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